sábado, 4 de junho de 2011

4ª Reunião

Ontem (03/06/11) o GAVV reuniu-se novamente no Cravi. Foram discutidas várias ideias relacionadas aos objetivos e a identidade do grupo que, em breve, vocês poderão conferir aqui no blog.

O GAVV também decidiu apoiar e participar da 13ª Caminhada pela Paz de Heliópolis.
Informações sobre a caminhada, clique aqui.

sábado, 28 de maio de 2011

Aos leitores

Nosso blog - VÍTIMAS INDIRETAS: DO LUTO À LUTA está mudando, pois nossa luta também está.
Estamos criando um grupo, juntamente com outros cidadãos vítimas diretas e indiretas de violência.
Em breve, poderão obter mais informações sobre o G.A.V.V. e acompanhar nossas ações.
Para maiores informações, entre em contato por e-mail:
vitimasindiretas@gmail.com

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A dor de uma saudade (*)

 Por Ivone Rodrigues

“Senti na pele a dor e a perda, pois fazem 9 anos que
sinto esta dor.
Meu filho tinha só 18 anos, quando em uma 6ª feira
foi buscar sua namorada no serviço, quando foi abordado
por 3 bandidos. Eles lhe pediram a chave do carro, ele
entregou, mas os bandidos não conseguiram ligar o carro.
Dispararam, então, 6 tiros, sendo que 3 pegaram no meu
filho, que morreu na hora.
Hoje estou muito triste, nem sei e nem tenho forças
para descrever; só sei dizer que a dor é tão grande que às vezes
eu acho que não vou suportar. Tomo remédio pra dormir.
Voltei a estudar. Um dia, na escola, eu passei mal;
foi quando conheci uma mulher que é filha da zeladora da
escola e ela me falou do Cravi. Eu aceitei e estou participando.
Não estou bem, mas pelo menos conheci várias pessoas que
passaram pela mesma violência que eu.”

A VIOLÊNCIA
“Hoje em dia a violência no Brasil é uma
coisa triste. Eu posso falar, pois sofri e sofro até
hoje as conseqüências da violência.
Faz 8 anos que mataram meu filho. Ele
tinha só 18 anos e 3 bandidos pediram-lhe a
chave do carro; ele entregou, mas eles não
ficaram contentes e deram-lhe 6 tiros. Ele morreu
e isto me deixou muito triste.
Hoje, não tenho como descrever o quanto
meu coração dói. Só com a força de Deus eu
tenho conseguido não viver, mas sobreviver.
Muitas vezes eu desejei que o tiro fosse no meu
coração e não no dele.
Tomo remédio para dormir e voltei a
estudar, mas não consegui melhorar. Me dava
muitas crises, inclusive soluços, crises forte de
choro.
Até que um dia eu estava na escola onde
estudo e onde meu filho, André estudou; na
secretaria encontraram uma foto de André e eu
chorei muito. Então a filha da zeladora perguntou
para alguém porque eu estava chorando e falaram
o porquê. Como ela trabalha no Cravi, ela me
ofereceu ajuda, e eu falei que sim. Ela pegou meu
nome, e dias depois, ligaram para mim.
Comecei passando, conversando com
uma assistente social e uma psicóloga. Elas são
muito legais.
Hoje faço parte de um grupo de cidadania,
estou conseguindo uma pouca melhora, mas a
Ivone dor não passa e a saudade também não.”


(*) Relato publicado originalmente no livro "Quebrando o silêncio: memória, cidadania e justiça", p. 23-24, 2008, CRAVI, SP

Drama de uma família (*)

 Por Francisco Gomes

“Mês de maio, mês das noivas, dia das mães, mês de
Maria, mãe de Jesus, deveria ser só alegria, mas se tornou o
mês mais triste da minha vida, da minha esposa e filha, e as
demais famílias que tiveram seus filhos e filhas, tragicamente
mortos, deixando para trás planos e desejos prematuramente
consumidos pelos atos de covardia de pessoas que se julgam
no direito de tirar a vida de seus semelhantes sem nenhum
julgamento. Nem a pena de morte é executada nos países do
primeiro mundo sem um julgamento.
Há 8 anos atrás, perdi uma filha vítima da violência
e até hoje não foi encontrado o culpado. Só Deus sabe a
dor que eu e minha família sofremos, e, agora, neste
fatídico mês de Maio, meu filho desaparece sem nenhum
sinal: nem se está vivo ou morto.
Passa em minha lembrança um filme que mostra
os momentos que eu e minha esposa o visitávamos no semiaberto,
sua alegria, seus planos para quando tivesse sua
liberdade, começasse uma vida nova. Enfim ele saiu daquele
triste lugar muito contente. Fui buscá-lo e começava uma nova
vida; mesmo estando em condicional ele se mostrava otimista.
Apesar das dificuldades que se encontrava, ele
trabalhava sempre alegre, vendendo águas e refrigerantes em
locais esportivos; mas enfim, neste fatídico mês de Maio seus
planos foram bloqueados, deixando em nós um vazio imenso,
pois só quem é pai ou mãe, que vê seus filhos sendo gerados,
crescendo, correndo pela casa, muitos planos são feitos, tudo de
bom a gente sonha, até que um dia, o próprio mundo que nos
concedeu a graça de ter filhos se encarrega de levá-los da gente.
Hoje, tento entender o que houve, junto com outras
famílias que também perderam seus filhos tragicamente
mortos naquela noite do mês de Maio, e, em reunião,
vamos adquirindo forças para continuar lutando juntos;
mas um vazio sempre irá nos acompanhar.
Até quando vai durar esta impunidade, esta
desigualdade social? Sei que é difícil combatê-las, mas é
preciso que se faça algo para alertar nossos governantes para
que nossos jovens tenham um futuro mais longo e promissor.
As famílias que participam dos encontros no
Cravi buscam apoio para seus problemas: diversos casos
envolvendo violência, sede de Justiça e paz. As famílias
chegam aqui angustiadas e sem esperança e são ouvidas
em grupo contando seus dramas e desejos, sempre
acompanhadas por assistente sociais e psicólogas. Através
da convivência em reuniões nos tornamos mais otimistas,
tendo assim uma nova visão para continuar vivendo.”

(*) Relato publicado originalmente no livro "Quebrando o silêncio: memória, cidadania e justiça", p. 19-20, 2008, CRAVI, SP.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Como agem os grupos de extermínio em SP

Do R7, portal da Rede Record

Em uma das maiores operações da polícia paulista nos últimos anos, quarenta viaturas, um helicóptero e 180 homens da Policia Militar participaram durante cinco horas de buscas em um dos bairros mais violentos da periferia de Osasco, na Grande São Paulo.

A megaoperação tinha um único objetivo: localizar uma arma. Um fuzil conhecido como calibre ponto 223 - de uso restrito. A arma foi utilizada no assassinato de quatro PMs e dois policiais civis.

No fim da operação, 14 traficantes foram presos, e a polícia apreendeu drogas, dinheiro e seis armas de fogo, entre elas uma granada - até um colete à prova de balas foi encontrado. Os policiais só não encontram a arma que procuravam: o fuzil calibre ponto 223.

Mais que uma arma, o fuzil seria a prova definitiva da participação de ex-policiais militares em um grupo de extermínio que age na grande São Paulo.

O Domingo Espetacular teve acesso a um relatório confidencial da alta cúpula da Secretaria de Segurança Pública. O relatório mostra quem são e como agem os principais grupos de extermínio de São Paulo.

O documento tem quarenta páginas e revela que, nos últimos três anos, 150 pessoas foram mortas de forma suspeita pela Polícia Militar, sendo que 91 não tinham antecedentes criminais.

A motivação para as mortes é obscura. Cinquenta e oito pessoas foram mortas “sem motivo aparente” e dezenove entram na estatística como “limpeza” - ou vítimas de grupos de extermínio.

O relatório também inclui alguns vídeos. Um deles comprova a guerra interna na polícia. Mostra o momento em que três homens, usando duas motocicletas, se aproximam do prédio em que mora um policial civil que investigava um grupo de extermínio. Um homem desce da moto e se aproxima do portão, o outro estaciona na calçada. Um deles tenta intimidar o investigador que permanece dentro da guarita. O investigador ameaça tirar uma arma, e os três fogem em seguida.

De acordo com o relatório, os três homens são policiais militares, integrantes de um grupo chamado “A Firma”, que age em Santo André, na Grande São Paulo. O grupo ganhou o nome porque passou a agir como uma empresa. Os “funcionários”, todos ex-policiais militares, eram contratados para matar.

O preço de um assassinato variava entre R$ 30 mil e 50 mil reais.

As mortes de policiais civis e militares poderiam ser motivadas por desavenças no grupo ou porque os matadores ficaram incomodados com as investigações.

Na capital, a polícia ainda busca a principal prova contra os matadores de Santo André - o fuzil calibre ponto 223, considerado uma arma de guerra.


Assista ao vídeo:
http://noticias.r7.com/videos/policia-procura-arma-que-pode-explicar-como-agem-os-grupos-de-exterminio-em-sp/idmedia/99b745a1bbab61602f1ff994c7dda513.html

domingo, 31 de outubro de 2010

Criminalidade urbana: o crime como profissão

Criminalidade urbana: o crime como profissão
Marisa S. Neres
Socióloga
Professora substituta de Sociologia da Universidade Federal de Goiás e
Professora adjunta do curso de Direito da Faculdade de Jussara.



Os objetivos do texto que se apresenta a seguir são os de realizar algumas reflexões acerca da temática criminalidade urbana; apresentar o conceito de crime como profissão a partir do referencial teórico da sociologia; realizar algumas reflexões que permitam clarificar alguns aspectos da criminalidade urbana e suas implicações nas relações sociais que compõem a trama do tecido social. O trabalho se compõe de pesquisa bibliográfica sobre os conceitos de crime, crime como profissão, capitalismo e consumo e de entrevistas realizadas com reeducandos da Agência Prisional do Estado de Goiás que atuavam no tráfico de drogas. Para a realização das entrevistas, buscou-se, inicialmente, fazer contato com pessoas que: a) atuassem no tráfico de drogas, b) que não estivessem na prisão e c) que se dispusessem a relatar suas experiências no crime. Este método mostrou-se inviável. Chegou-se a fazer contato com tais pessoas; contudo, as mesmas se mostraram pouco dispostas a expor suas histórias por temerem qualquer implicação posterior decorrente de suas declarações. Assim, empreendeu-se a tentativa de realizar as entrevistas com pessoas que estivessem cumprindo pena no sistema prisional do Estado por crimes que podem ser incluídos no perfil de crime como profissão. Foram entrevistadas três pessoas do sexo masculino que cumprem pena por tráfico drogas. As entrevistas com dois reeducandos foram gravadas e uma entrevista não foi gravada devido ao fato de o entrevistado não ter concordado com esse tipo de registro. Neste caso, foram tomadas notas de seu relato. Na condução das entrevistas, os reeducandos foram estimulados a contar sua história de vida relatando-a desde antes do envolvimento com o crime, de que modo aconteceu o envolvimento, quais foram suas motivações, como se constitui o funcionamento da atividade e seu posicionamento moral e ético diante da mesma. Com este método objetivou-se obter informações cujos elementos pudessem explicar que ocorrências na vida dos entrevistados os fizeram aderir ao crime e que motivações os faz adotarem a prática de crimes, nela permanecendo. Buscou-se, também, obter informações sobre como se organizam as atividades, suas especificidades, sua lógica, suas regras e o posicionamento dos reeducandos em relação às mesmas, demonstrando que visão eles têm destes tipos de crimes e de si mesmos diante das atividades que exercem.


Por meio das informações obtidas nas entrevistas, buscou-se verificar se os crimes praticados pelos entrevistados poderiam, ou não, ser definidos como sua profissão.


Inicialmente os entrevistados se mostraram um pouco tímidos; mas, após os esclarecimentos da natureza e objetivos da pesquisa, mostraram-se mais à vontade, acessíveis e dispostos a relatar suas experiências. Seus nomes foram alterados para manter o sigilo de suas identidades. Dito isto, serão apresentados, a seguir, individualmente, os relatos das entrevistas e sua análise.



LEIA AQUI ; Criminalidade urbana: o crime como profissão:

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

OBSERVATÓRIO DE VIOLÊNCIAS POLICIAIS

"O Observatório das Violências Policiais-SP é um sítio voltado para a documentação da violência institucional no Estado de São Paulo, expressa  pela ação de policiais e de outros agentes do Estado contra as populações pobres das periferias urbanas. Contém um banco de dados de casos de violências  (chacinas, execuções sumárias, torturas, mortes sob custódia, abuso de poder, injustiças) baseado essencialmente em notícias de cerca de 100 jornais. Contém ainda a lista mensal de mortos por policiais e homens encapuzados em chacinas. Pretende ser um espaço de memória desses anônimos torturados e mortos na tragédia social cotidiana. Contém ainda denúncias, notícias de protestos, documentos, relatórios, artigos, entrevistas, legislação, bibliografia e comentários sobre obras culturais que tratam da violência sofrida pelas populações urbanas pobres."

Leia mais: http://www.ovp-sp.org/index.htm

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Hélio Bicudo deixa hospital após quase duas semanas de internação

Por: Iara Lemos Do G1, em Brasília 

Hélio Bicudo deixa hospital após quase duas semanas de internação
Jurista sofreu um acidente vascular no último dia 11.
Um dos fundadores do PT, ele foi vice-prefeito de SP na gestão Marta Suplicy.

O jurista Hélio Bicudo deixou o Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, na manhã desta segunda-feira (23). Bicudo estava internado desde o dia 11 de agosto após sofrer um acidente vascular isquêmico.
“O senhor Hélio Bicudo, admitido no Hospital Alemão Oswaldo Cruz em 11 de agosto de 2010 com acidente vascular isquêmico, teve seu quadro de saúde evoluído com melhora neurológica satisfatória. Desta forma, o paciente recebeu alta médica hoje (23), pela manhã”, diz o boletim médico divulgado pelo hospital.
Um dos fundadores do PT, Bicudo deixou o partido em 2005, mesmo ano em que um grupo de dissidentes fundou o PSOL. Antes, ele havia sido vice-prefeito de São Paulo na gestão de Marta Suplicy. Bicudo é considerado um dos maiores defensores dos direitos humanos do país. Ele é, atualmente, presidente da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos.
Um mês antes de sofrer o acidente vascular, Bicudo gravou depoimento em que declara apoio à candidatura de Marina Silva (PV) à Presidência da República. No vídeo, de cerca de um minuto, o jurista afirma que Marina “é uma mulher de luta”.

sábado, 21 de agosto de 2010

execussões sumarias NÉLIO NAKAMURA BRANDÃO

*NÉLIO NAKAMURA BRANDÃO =VITIMA

BETI MÃE DE NÉLIO NAKAMURA BRANDÃO E ÉRIKA FILHA DE NÉLIO

*DR; HÉLIO BICUDO

EXECUÇÕES SUMÁRIAS
Dois rapazes, um, vítima de um assalto, e outro, autor do assalto, porém ferido e desarmado, são executados por policiais militares que depois forjam a versão de resistência seguida de morte (RSM), no Jardim São José (zona leste de são Paulo) VIVER TAMBÉM É ESTAR PREPARADO PARA SITUAÇÕES DIFÍCEIS."VIOLÊNCIA"
OBRIGADOS A TODOS OS PROFISSIONAIS DO (CRAVI ; DR DANILO CHAMMAS E TODOS ESTAGIARIOS RESPONSAVEIS PELA REABERTURA DO CASO QUE JÁ ESTAVA ARQUIVADO ;Nenhuma dessas iniciativas no âmbito nacional deram frutos e vendo grandes chances de impunidade para o caso, a Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos (FIDDH), presidida pelo jurista Hélio Bicudo, fez uma denúncia à instância internacional no âmbito da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). Foi preciso a intervenção da OEA junto ao Estado brasileiro para o processo ser reaberto sob o número P-150-06. No documento, datado de 17 de julho de 2006, a OEA também criticou a postura do Ministério Público e da Justiça estadual em relação ao caso e cobrou punições (Relatório da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos, São Paulo, 17/07/2006). Data: 13 de setembro de 2004
Local: Jardim São José (zona leste de São Paulo)
Vítimas: Nélio Nakamura Brandão, de 24 anos; e Alexandre Roberto Azevedo, de 24 anos
Agentes do Estado: Roberto de Arruda Júnior, tenente da Polícia Militar; Nilton Silvano, Avelino da Silva Custódio, Luiz Henrique de Brito Domingos, Genivaldo Geraldo de Oliveira, Anderson Fábio dos Santos e Márcio Roberto da Silva Queiroz, soldados da Polícia Militar
Relato do caso: No dia 13 de setembro de 2004, Nélio Nakamura Brandão, de 24 anos, comerciante e universitário, e sua mulher saíam de casa, no Jardim São José, zona leste de São Paulo, às 5h20 da manhã, em seu Fiat Palio. Logo aproximou-se um outro veículo, um Ford Courrier, no qual se encontravam dois homens, apenas um deles armado. Eles pegaram o carro de Nélio e fugiram. Imediatamente em seguida Nélio voltou à casa, pegou um revólver e sua motocicleta para seguir os ladrões.
Enquanto isso sua mulher chamava a polícia. Por estarem nervosos com a situação e por ser comum que a filhinha de quatro anos dormisse sempre no banco de trás, o casal esqueceu que a havia deixado na casa da mãe de Nélio e estava reagindo como se os dois rapazes tivessem levado não apenas o carro mas também a menina. E foi nestes termos que a mulher narrou o fato aos policiais que logo acudiram ao seu chamado.
Iniciou-se então a perseguição. Bem pouco tempo depois, os policiais voltaram com notícias. Já agora estava lá também a mãe de Nélio. Os policiais vinham perguntar se a mulher de Nélio poderia reconhecer os ladrões. E disseram: "Pegamos os mala. O cara do Pálio e o japonês da moto". A mãe de Nélio compreendeu imediatamente o que tinha acontecido e não se conteve: "O japonês da moto é meu filho!" A partir desse momento o comportamento dos policiais mudou radicalmente e se concretizou nos obstáculos que esposa e mãe encontrariam para localizar o corpo de Nélio (Relatório da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos, São Paulo, 17/07/2006).
Na verdade os dois "malas" que os policiais haviam matado eram Nélio e Alexandre Roberto Azevedo, de 24 anos, que estava desarmado e tinha assumido o volante do Fiat Pálio roubado. A esposa e a mãe de Nélio dirigiram-se então ao 41º Distrito Policial (Vila Rica) para ter informações. Só indiretamente as obtiveram, ouvindo pelo alto volume do rádio de uma viatura policial que os dois baleados tinham sido levados para o Hospital do Jardim Iva (O Estado de S. Paulo, 11/12/2006). No necrotério do hospital encontraram Nélio morto com três tiros, estirado ao lado do corpo de Alexandre (Jornal da Tarde, São Paulo, 11/12/2006).
Na delegacia, no início da tarde do mesmo dia, os policiais militares apresentaram a primeira versão da ocorrência: Nélio teria sido assassinado pelo assaltante Alexandre, que, por sua vez, teria morrido no tiroteio com os policiais militares (O Estado de S. Paulo, 11/12/2006).
Foi um dos próprios envolvidos, o tenente da Polícia Militar Roberto de Arruda Júnior, que ajudou a Polícia Civil a desmascarar a primeira versão e a restabelecer a verdade dos fatos. Em depoimentos prestados na Corregedoria da Polícia Militar, em 16 de março de 2005, e no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), em 13 de junho do mesmo ano, ele contou que tendo participado da perseguição, tanto ele, como o motorista da viatura, o soldado Avelino Silva Custódio, atiraram contra o Fiat Palio, ferindo Alexandre nas costas. Declarou ainda que viu quando o soldado Luiz Henrique de Brito Domingos arrancou Alexandre da direção do Fiat Palio, deitou-o no chão e fez dois disparos contra o seu peito. E disse ainda que logo depois da morte de Alexandre, ouviu mais disparos e alguém dizendo: "Pegamos o outro mala". Percebeu então que os soldados Genivaldo Geraldo de Oliveira e Nilton Silvano tinham atirado no homem da moto. Mais tarde foi procurado pelos soldados Genivaldo e Nilton que lhe disseram ter "havido um mal-entendido" (Jornal da Tarde, São Paulo, 11/12/2006 e Relatório da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos, São Paulo, 17/07/2006).
Situação da investigação: Para além da primeira versão falsa no boletim de ocorrência, as investigações tropeçaram em outros obstáculos erigidos pela má vontade em punir crimes de agentes do Estado por parte do promotor encarregado do caso e do Poder Judiciário.
A primeira versão dos policiais não tinha convencido os parentes de Nélio Nakamura. Apoiada pelo CRAVI (Centro de Referência e Apoio à Vítima), a mãe de Nélio comentava: “Se alguém me pergunta quantos filhos eu tenho. Eu digo três, se alguém me pergunta se algum deles morreu, eu digo que sim. Morreu de quê? Os policiais mataram ...” (Relatório da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos/São Paulo, 17/07/2006).
O delegado de polícia Reinaldo Ribeiro Checa Júnior, então do 41º DP, responsável pela primeira fase das investigações, já no início suspeitava fortemente da versão apresentada pelos policiais militares envolvidos no duplo homicídio. Tanto assim é que, em 17 de setembro de 2004, quatro dias depois do crime, ele requereu a prisão temporária dos policiais até a conclusão do processo (Relatório da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos, São Paulo, 17/07/2006).
Por sua vez o delegado de polícia Luciano Barros Faro, à época da Equipe I-Leste, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), declarou em seu relatório conclusivo, em 8 de julho de 2005, que "os crimes de homicídios foram perpetrados por policiais militares, agentes de segurança pública, sem que as vítimas apresentassem qualquer resistência. Uma delas, inclusive, tratava-se da vítima do roubo que estava ocorrendo. E mais, após a verificação dos graves erros que cometeram, os policiais que participaram do extermínio, na companhia de demais comparsas, também arquitetaram e armaram mirabolante história, onde alteram a forma dos fatos como de fato ocorreram, utilizando-se para isto de uma arma de fogo com numeração raspada. Outros policiais militares, visando preservar sua corporação e seus colegas omitiram a verdade e a falsearam, em total desrespeito à Justiça e à verdade dos fatos". Mais adiante o delegado afirma: "E todos eles estão livres nas ruas, efetuando a segurança da população de nosso Estado" (Relatório da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos, São Paulo, 17/07/2006).
Esse delegado, que comandou durante oito meses as investigações do duplo homicídio, concluiu, a partir sobretudo dos depoimentos do tenente Roberto de Arruda Júnior, já citados, que Nélio foi morto porque o confundiram com um dos assaltantes e que Alexandre, sequer estava armado quando o soldado Luiz Domingos o arrancou do carro, já ferido, e disparou dois tiros contra ele. Depois os policiais arquitetaram uma história falsa: um dos policiais militares arranjou um revolver 38, com numeração raspada, pertencente a um comerciante do bairro, e o “plantou” junto ao morto. A intenção deles era transformar o crime em “resistência seguida de morte” (RSM) (O Estado de São Paulo, 11/12/2006).
No entanto, mesmo depois de a fraude ter sido desmascarada e os policiais militares terem sido indiciados pela Policia Civil, o promotor Roberto Tardelli, da 1ª Vara do Júri da Capital, então designado pelo Ministério Público de São Paulo para acompanhar o caso, determinou, em 12 de agosto de 2005, quase um ano depois do duplo homicídio, o arquivamento do inquérito. Segundo ele não teria havido intenção de matar – portanto não teria havido homicídio doloso. Em ocasião posterior, em dezembro de 2006, para justificar sua decisão de arquivamento, já contestada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (como se verá abaixo), declarou à imprensa que o que tinha acontecido foi um "apavoramento" dos policiais militares pois eles julgavam que a filhinha do casal tinha sido seqüestrada. Também deu nessa ocasião uma outra variante interpretativa da razão do crime: imperícia e falta de preparo dos policiais militares, o que os levaria apenas a responder por homicídio culposo (sem intenção de matar) (Jornal da Tarde, São Paulo, 11/12/2006). O pedido de arquivamento foi acatado pelo juiz Marcelo Matias Pereira, seis dias depois, em 18 de agosto de 2005, que assim corroborou com a impunidade do duplo homicídio. Além disso, no decorrer do inquérito, foram cometidos pelos policiais militares e reconhecidos pelo próprio promotor os crimes de fraude processual, falso testemunho, roubo e porte ilegal de arma de fogo, na tentativa de encobrir os fatos. Entretanto esses crimes também foram objeto de arquivamento definitivo, com a decisão de 21 de março de 2006, da juíza Regiane dos Santos, da 17ª Vara Criminal, após manifestação da promotora de justiça Silvia Reiko Kawamoto, (Relatório da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos, São Paulo, 17/07/2006). Assim membros do Ministério Público, unidos a setores do Poder Judiciário, colaboraram para a impunidade de um caso de violência arbitrária e ilegal cometido por agentes do Estado, em franca contradição com a investigação bem-sucedida de setores da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar.
O arquivamento completo do caso deixou as entidades de direitos humanos e a família de Nélio inconformados. Por isso tentaram, sem sucesso, promover a reabertura do inquérito. Em 31 de março de 2006, o Procurador Geral de Justiça Rodrigo Pinho, chefe do Ministério Público de São Paulo, indeferiu requerimento formulado pela Comissão Municipal de Direitos Humanos e pela Casa de Referência e Apoio à Vítima (CRAVI), que pedia a nomeação de outro promotor para avaliar o caso. Seguindo as recomendações do próprio Procurador Geral, outra representação foi encaminhada, em 28 de junho de 2006, ao delegado Emanuel Marcos Lopez, titular da Equipe I-Leste do DHPP, e outra, em 29 de junho de 2006, ao promotor Roberto Tardelli, requerendo a reabertura do inquérito e apontando provas que não haviam sido objeto de investigação e que poderiam reforçar ainda mais as evidências de homicídio, ao contrário da interpretação de legítima defesa por parte dos policiais militares. Uma representação também foi encaminhada ao Conselho Nacional do Ministério Público, que tem como uma de suas atribuições fiscalizar o cumprimento dos deveres funcionais de seus membros (Relatório da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos, São Paulo, 17/07/2006).
Nenhuma dessas iniciativas no âmbito nacional deram frutos e vendo grandes chances de impunidade para o caso, a Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos (FIDDH), presidida pelo jurista Hélio Bicudo, fez uma denúncia à instância internacional no âmbito da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). Foi preciso a intervenção da OEA junto ao Estado brasileiro para o processo ser reaberto sob o número P-150-06. No documento, datado de 17 de julho de 2006, a OEA também criticou a postura do Ministério Público e da Justiça estadual em relação ao caso e cobrou punições (Relatório da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos, São Paulo, 17/07/2006).
O novo promotor designado pelo Ministério Publico, Maurício Antônio Ribeiro Lopes, depois de receber e analisar as minúcias do Inquérito Policial Militar (IPM) caracterizou a ação dos policiais militares como "execução sumária" e denunciou os sete envolvidos por duplo homicídio doloso triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de recursos que impossibilitou a defesa das vítimas). A denúncia foi recebida pela juíza Sônia Nazaré Fernandes Fraga em 5 de janeiro de 2007. Três dias depois o promotor pediu a prisão preventiva dos sete, dois anos e quatro meses depois do crime. Em 10 de janeiro seis deles já estavam presos no Presídio Militar Romão Gomes (Jornal da Tarde, São Paulo, 10/01/2007).
Fontes: Relatório da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos (FIDDH), São Paulo, 17/07/2006; O Estado de S. Paulo, 11/12/2006; Jornal da Tarde, São Paulo, 11/12/2006; Agência Estado, 11/12/2006; Yahoo News, São Paulo, 12/12/2006; Diário do Grande ABC, Santo André, 12/12/2006; Jornal da Tarde, São Paulo, 10/01/2007

domingo, 8 de agosto de 2010

COMO A POPULAÇÃO VÊ A POLICIA.





NÃO PODEMOS VIVER SOCIALMENTE EM NOSSO PAIS SEM OS POLICIAIS MILITARES, MAIS PRECISAMOS URGENTE QUE OS NOSSOS DIRIGENTES E OS HOMENS DE COMANDO MODIFIQUEM A FORMAÇÃO DOS PM NÃO ESTAMOS MAIS SOB O REGIME MILITAR. QUEREMOS UMA POLICIA PREPARADA PARA AS NESCESSIDADES DA SOCIEDADE COM MUITA DEMOCRACIA .... Novas, mas como institucionais Nas Nas mesmas práticas. Um policial nasceu Instituição e durante um longo período se Manteve pautada por práticas e procedimentos que visavam, unicamente, uma defesa do interesse do Estado e de Certos grupos sociais privilegiados. Pinheiro (1981) argumenta que nas sociedades modernas a Polícia se Desenvolveu pautada pelo temor de ameaças de desordem, sendo criada, muito mais para Enfrentar, como perigosas "classes", do que mesmo para Combater o crime, controlando as classes baixas e das manifestações desse modo preservando o status quo. Nesse contexto, os Interesses dos Cidadãos eram deslocados um plano último, sendo constantemente, Vítimas de ações repressivas e violentas por parte de policiais despreparados que agiam de forma arbitrária. Shirley (1997, p. 226) ***************************************
Violência Policial: uma ameaça à democracia

A violência policial é um fato – basta lembrar Carandiru, Candelária, Eldorado dos Carajás – não um caso isolado ou um “excesso” do exercício da profissão como querem fazer crer as corporações policiais e as autoridades ligadas ao sistema de justiça e segurança. E, em se tratando de um fato concreto, deve ser encarada como um grave problema a ser solucionado pela sociedade. Um grave problema porque a violência ilegítima praticada por agentes do Estado, que detêm o monopólio do uso da força, ameaça substancialmente as estruturas democráticas necessárias ao Estado de Direito.
A polícia representa o aparelho repressivo do Estado que tem sua atuação pautada no uso da violência legítima. É essa a característica principal que distingue o policial do marginal. Mas essa violência legítima está ancorada no modelo de “ordem sob a lei”, ou seja, a polícia tem a função de manter a ordem, prevenindo e reprimindo crimes, mas tem que atuar sob a lei, dentro dos padrões de respeito aos direitos fundamentais do cidadão – como direito à vida e à integridade física.
A ausência de respeito ao modelo de “ordem sob a lei” tem se perpetuado dentro da estrutura policial brasileira por razões diversas – como a falência dos modelos policiais, o descrédito nas instituições do sistema de justiça e segurança, a impunidade – mas principalmente por uma certa tolerância da própria sociedade com esse tipo de prática. Analisando o problema do ponto de vista sócio-político veremos que a violência policial tem raízes culturais muito antigas (desde a implantação do regime colonial e da ordem escravocrata), e que estas têm uma relação diretamente proporcional à ineficiência do Estado de punir, na maioria dos casos, as práticas criminosas dos agentes de segurança.
É difícil admitir, mas existe uma demanda dentro da sociedade para a prática da violência policial. É esta violência que serve à sociedade dentro de diversos aspectos e circunstâncias, mas especialmente no tocante à solução dos crimes contra o patrimônio e na repressão às classes perigosas. Por isso mesmo, a dificuldade do Estado no âmbito da segurança pública, no final do século XX, continua sendo o controle da violência legítima, do qual decorreria consequentemente a extinção do uso ilegítimo da força por parte dos organismos policiais.

sábado, 7 de agosto de 2010COMO A POPULAÇÃO VÊ A POLICIA DEPOIS DA VIOLÊNCIA:casos de violência em SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO


No final da tarde do dia 11 de junho, policiais do 22° Batalhão da PM do Rio invadiram a favela Nova Holanda, no subúrbio da cidade, e promoveram um verdadeiro massacre. Segundo moradores, os policiais entraram na favela atirando para todos os lados e assustando centenas de trabalhadores que chegavam em casa após mais um cansativo dia de serviço.
Chacina na Nova Holanda: enterro de Deividson Pacheco, de 19 anos
A operação começou na Rua Santa Rita, onde funciona uma modesta barbearia. Ao passar pelo local, os policiais começaram a atirar em direção ao estabelecimento, atingindo seis pessoas: Alexsandro de Oliveira Nascimento, 22 anos, Rodson Soares Gomes, também 22 anos, Gilberto dos Santos, 35 anos, Deividson Evangelista Pacheco, 19 anos, Paulo Cardoso Batalha, 47 anos, e seu filho Gabriel Batalha, de 5 anos. Paulo estava com o menino no colo cortando o cabelo no momento em que foi atingido na cabeça. O frentista morreu na hora e o menino Gabriel, atingido na mão, está internado no Hospital Geral de Bonsucesso e corre o risco de perder os dedos.

Aluno do Ciep Yuri Gagarin, o jovem Deividson Evangelista Pacheco também foi atingido na cabeça e morreu a caminho do hospital. Segundo sua mãe, Dilma Barbosa Bezerra, de 55 anos, o rapaz tinha problemas auditivos por conta de uma meningite contraída aos 5 anos e demorou para notar a presença da polícia.

— Meu filho era um menino bom. Nunca foi envolvido com nada de errado. A nossa vida aqui na favela não vale nada para essa polícia. Meu filho tinha problemas de audição e demorou mais do que os outros fregueses para notar o tiroteio. Que covardia que fizeram com ele. Vou lutar por justiça até o fim da minha vida. Depois que esse governador [Sérgio Cabral] foi eleito, acabou o pouco de paz que nós tínhamos. Toda semana a polícia entra aqui e mata alguém. Seja bandido, que eles executam, ou trabalhador, que eles atiram nas costas. Não importa se é traficante ou não, aqui todo mundo tem medo da polícia e todo mundo corre quando ela chega — lamenta a mãe de Deividson no enterro do filho, dia 13 de junho, no cemitério do Caju.

Além disso, moradores denunciam que, após atirarem contra a barbearia, PMs ainda teriam adentrado o local, agredido outros clientes e roubado pertences das vítimas, como carteiras, relógios e outros objetos de valor.

A favela Nova Holanda, no bairro de Bonsucesso, é uma das 22 do complexo de favelas da Maré, assim como o Parque União, onde a PM também ataca com frequência. Em abril do ano passado, moradores chegaram a pedir a Ordem dos Advogados do Brasil que instalasse um posto fixo no Parque União para coibir os abusos policiais, mas até hoje, a favela continua entregue à violência permanente da polícia.

No dia 2 de maio último, PMs invadiram a favela para a instalação da nova sede do Batalhão de Operações Especiais, o BOPE, que atualmente fica no Catete, bairro nobre do Rio. A operação terminou com seis moradores mortos, dentre os quais estava um dos chefes do tráfico varejista. Segundo a Secretaria de Segurança Pública e o monopólio dos meios de comunicação, as outras cinco vítimas também morreram em confronto com a PM, uma mentira fabricada para ocultar a chacina promovida pelos policiais.

http://wwwrobertopadoka.blogspot.com/

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Corregedoria da PM investiga grupo de extermínio em SP

COMO ME DOI SABER QUE POLICIAIS QUE DEVERIAM ESTAR NOS PROTEGENDO OU NA PIOR DAS IPOTESES NÓS PREDENDO ESTIEJA NÓS MATANDO....

http://videos.band.com.br/s_10_jornalismo.htm

Corregedoria da PM investiga grupo de extermínio em SP
Sobreviventes de chacinas dizem que o grupo executou mais de 20 pessoas.
http://videos.band.com.br/v_65004_corregedoria_da_pm_investiga_grupo_de_exterminio_em_sp.htm

Violência contra a mulher aumenta quase 50% no país

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Valores invertidos é o que vemos nesse filme , marginais sendo colocados ..HEROIS...

Valores invertidos é o que vemos nesse filme , marginais sendo colocados ... Bandidos são bem vistos e a polícia é atacada, inocentes são mortos, ... A velha merda esquerdista de sempre: ladrões e assassinos são heróis e as ... queue Trailer do filme "Salve Geral, o dia em que São...17943 viewsvideodepolicia • 8:26 ...
www.youtube.com/watch?v=eoP-ePkzz5U - Em cache - Similares
1. Ataques do PCC em São Paulo: 3 anos - Abordagem Policial
15 maio 2009... mas, como diz Luiz Eduardo Soares, com o sinal invertido. .... Salve Geral - O Filme - Abordagem Policial ... O problema hoje é essa inversão de valores, o bandido é coitadinho e o policial é o ladrão. ... saber que somos heróis para as pessoas mais importantes do mundo para agente, nossos pais, ...
abordagempolicial.com/.../ataques-do-pcc-em-sao-paulo-3-anos/ - Em cache - Similares

táfico internacional de armas de fogo no brasil.....

terça-feira, 13 de julho de 2010

FAVELA PARAISOPOLIS;

São Paulo é hoje uma cidade de muros. Amedrontados pelo aumento do crime

A cidade fortificada
TERESA CALDEIRA
(Jornal "Folha de São Paulo, )
São Paulo é hoje uma cidade de muros. Amedrontados pelo aumento do crime violento e descrentes da eficácia da polícia ou da Justiça, os moradores procuram se proteger o mais que podem. Erguem muros, reforçam as grades e fechaduras, compram armas, consomem as mais diversas tecnologias de segurança e contratam guardas privados. Também saem menos, mudam-se para condomínios fechados, trocam as compras e o lazer que lhes façam usar as ruas pelos shoppings e, se podem, abandonam os transportes coletivos para se mover apenas com seus carros. Para completar, tendem a apoiar medidas violentas para lidar com a criminalidade, como a pena de morte muitas vezes confundida com execução sumária pela polícia e a atacar os que defendem os direitos humanos.
Em suma, os resultados desses esforços de proteção podem ser resumidos da seguinte maneira: para fazer face à violência, os moradores de São Paulo se aprisionam, adotam soluções privadas de proteção e progressivamente abandonam a esfera pública. No entanto, tudo indica que esse tipo de reação alimenta o ciclo da violência, em vez de contrapor-se a ele. O que poderia ser efetivo para interromper esse ciclo é a retomada e o fortalecimento da esfera pública, algo que os cidadãos de São Paulo parecem resistir a entender.
Frente ao medo e ao aumento da criminalidade violenta, é inevitável que as pessoas tentem se proteger. O problema é que as soluções privadas e violentas em geral não apenas não são as mais eficazes, como também podem ter resultados contrários aos esperados.
O porte de armas é um exemplo claro nesse sentido. Em países em que existe tradição de autoproteção e a população civil vê o porte de armas como um direito, como é o caso dos EUA, a taxa de homicídios per capita tende a ser até 10 vezes mais elevada do que a de países em que o número de armas entre os cidadãos é baixíssimo, como no Japão e na Europa Ocidental.
Todos os dados evidenciam que o aumento da criminalidade violenta no Brasil está associado ao uso de armas de fogo. O número de armas registradas anualmente cresceu 510% na região metropolitana de São Paulo entre 1983 e 1991. Como todos sabem, esse aumento não reflete o número de armas junto à população, já que muitas delas são mantidas ilegalmente. Como resultado, a proporção de homicídios provocados por arma de fogo no Brasil, que era de 15% do total de homicídios em 1980, em 1990 já havia dobrado e passado para 30% do total. O ponto mais grave disso tudo é que muitas das vítimas são mortas por suas próprias armas!
Historicamente, quando se observa a evolução dos homicídios em países do Ocidente, duas coisas ficam absolutamente claras.
Primeiro, a taxa de mortes violentas declinou sistematicamente desde o início do século 19 até pelo menos o final dos anos 60 (na Europa, caiu do patamar de 80 homicídios por 100 mil habitantes para menos de 4 por 100 mil; nos EUA, caiu para em média 10 por 100 mil hoje no Brasil está ao redor de 20 por 100 mil, mas nos anos 70 esteve ao redor de 10 por 100 mil).
Segundo, esse declínio tem a ver com processos essencialmente não-violentos, como o fortalecimento do sistema judiciário, a difusão da educação pública, o controle das pulsões individuais, o fortalecimento dos direitos civis e do respeito pelos corpos dos outros, a expansão da cidadania e da democracia e a modernização do espaço público, o qual foi progressivamente aberto para a circulação de todos. Foram processos de fortalecimento da esfera pública democrática, da cidadania e do que se pode chamar de civilidade (que inclui a tolerância e o respeito pelo outro) em detrimento das pulsões e poderes privados que fizeram cair radicalmente a violência.
Violência não é remédio para a violência. Ao contrário, é o que a faz proliferar. Se o uso da força e das armas fizesse baixar a criminalidade violenta, São Paulo seria a cidade mais segura do mundo, já que em nenhum outro lugar a polícia mata mais do que aí (compara-se as quase 1.500 mortes pela polícia em 1992 com as 25 pela polícia de Los Angeles!).
Obviamente, não se faz face ao crime sem polícia. Mas a polícia que controla a violência é aquela que impõe a ordem, ao mesmo tempo em que respeita a lei e os cidadãos. É uma polícia bem treinada, bem paga, não-corrupta e não-violenta, que trabalha pela comunidade em vez de lhe causar medo. É o tipo de polícia que na Europa se fortaleceu junto com uma Justiça eficaz e igualitária, que dá aos cidadãos a noção de que não haverá impunidade.
No Brasil, é lugar comum que a polícia é mal treinada e mal equipada e que a Justiça não funciona. A questão é que as alternativas que vêm sendo oferecidas pela população polícia dura e violenta e privatização da segurança_ não ajudam a conter a violência nem a melhorar essas instituições.
A privatização da segurança não é uma alternativa à segurança pública deficiente e, portanto, também não é remédio para a violência. Ela pode oferecer aos que podem pagar por ela a ilusão de proteção, mas, se chega a tocar no quadro mais geral da criminalidade violenta, é para aguçar alguns de seus problemas.
Num país com o grau extremo de desigualdade social como o Brasil, a difusão da segurança privada tende a ser mais um sistema perverso de aprofundamento dessa desigualdade. A criminalidade violenta distribui-se iniquamente: os moradores dos bairros pobres são sabidamente as maiores vítimas da violência nas grandes cidades brasileiras, enquanto os mais ricos são os que vivem nos locais mais seguros. A ênfase na segurança privada em vez do fortalecimento da segurança pública potencialmente só pode aumentar essa desigualdade e agravar o quadro da criminalidade violenta.
O abandono do espaço público e a proliferação de espaços fortificados privados para uso coletivo também não resolvem a questão da violência, além de aprofundarem alguns de seus aspectos. Qualquer um que já tenha tentado entrar a pé num condomínio fechado ou que já tenha assistido ao humilhante ritual de revista a que empregados têm que se submeter diariamente nas suas portarias não terá dúvidas de que "medidas de segurança" são na verdade medidas de controle e exclusão social.
Aos que são barrados e ficam de fora dos espaços privilegiados, resta o espaço das ruas e dos transportes coletivos, percebidos como cada vez mais perigosos e desprestigiados. Mas é ilusão pensar que se pode construir uma sociedade segura apenas dentro dos muros de espaços protegidos. O que se consegue com esses muros é aprisionar as pessoas e segregar os mais pobres, mas não necessariamente maior segurança.
Cidades segregadas, cidades de guetos, são reconhecidamente as cidades mais violentas que se conhece. Os países que têm atualmente as taxas mais baixas de criminalidade violenta (os da Europa Ocidental e o Japão) têm não apenas uma fraca tendência de privatização da segurança, mas também um espaço público altamente valorizado e apropriado.
Os europeus e os japoneses de todas as classes sociais usam intensamente os transportes públicos e as ruas de suas cidades, misturando-se nelas nas mais variadas circunstâncias, de acordo com regras implícitas de polidez e respeito ao estranho (de fato, um co-cidadão), regras do que se pode chamar civismo. O espaço público usado intensamente tende a ser o espaço urbano mais seguro.
Não existe regra mágica que garanta o controle da violência. Democracia política, por exemplo, não é um remédio certeiro. Se assim o fosse, não haveria como explicar porque a criminalidade violenta nos EUA é tão mais alta do que na Europa. Além disso, seria difícil entender porque no Brasil a criminalidade violenta cresceu tanto depois da democratização. Mas se o estudo histórico comparativo serve para indicar alguma coisa, isto é que a ênfase no respeito aos co-cidadãos e o interesse na preservação da paz em um espaço público usado intensamente estão na raiz do controle da violência.
Não é o abandono da esfera pública, mas a sua apropriação pelos cidadãos de todas as classes sociais, que permite criar uma melhor qualidade de vida e controlar a violência. Não é a sofisticação das barreiras (físicas, sociais e simbólicas), mas a sua derrubada que permite criar um espaço social seguro e fazer frente ao medo. Faz muito mais sentido o movimento "Reage São Paulo" que, frente à violência, usa a praça pública para exigir paz e justiça, do que todas as vociferações pela pena de morte. Quando os cidadãos de todos os grupos sociais perceberem que têm que sair de trás dos muros, se apropriar do espaço público e como co-cidadãos organizar a segurança de todos, quem sabe o problema da violência comece a encontrar o seu encaminhamento.
Teresa Caldeira é professora de antropologia na Unicamp (Universidade de Campinas) e na Universidade da Califórnia, Irvine (EUA).

quinta-feira, 27 de maio de 2010

PM suspeito de chefiar grupo de extermínio é preso em SP ZONA/LESTE VILA DIVA

ANDRÉ CARAMANTE
da Reportagem Local

Investigado pelo DHPP (departamento de homicídios), da Polícia Civil, sob a suspeita de ser um dos chefes de um grupo de extermínio responsável por ao menos 11 mortes na zona leste de São Paulo nos últimos meses, o policial militar Valdez Gonçalves dos Santos, 36, foi preso nesta sexta-feira por ordem do Tribunal de Justiça.
O policial militar é do 21º Batalhão e chegou na tarde desta sexta à sede do DHHP, na rua Brigadeiro Tobias, centro da cidade. Além dele, outros cinco PMs do mesmo batalhão são investigados por suspeita de participação nas mortes.

A ordem de prisão temporária (por 30 dias) é do juiz Daniel Ovalle da Silva Souza, do 1º Tribunal do Júri da Capital.

Para os investigadores do DHPP, os PMs se uniram para fazer uma "limpeza" nos bairros --o alvo do grupo seriam os usuários de drogas. A hipótese é que as mortes tenham sido cometidas para que o grupo assuma o comando dos pontos de venda de drogas da região.

Entre os assassinatos investigados pelo DHPP está a morte do ex-motoboy Roberto Marcel Ramiro dos Santos. Trabalhando atualmente como camelô após sofrer um acidente de moto, Santos foi morto com mais de dez tiros às 4h35 do dia 8, quando completava 22 anos. Dezenove dias antes de ser assassinado, Santos e sua mãe, Janete Cristina Rodrigues, 49, foram ameaçados de morte pelo PM Valdez.

A reportagem não localizou até agora o advogado do PM. Há uma semana, a reportagem pede esclarecimentos ao Comando Geral da PM sobre a investigação da participação do PM Santos no grupo de extermínio, mas nenhuma resposta foi dada.